sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Filho

Filho
 
Hoje teu nome veio como um estribilho,
e eu senti minh'alma por demais ferida.
Nasceu um rio nos olhos que, já vão sem brilho,
então chorei lembrando, da tua partida.
 
Tu foste meu segundo e tão amado filho,
mas me deixaste cedo a perecer na vida,
essa saudade  ingente que tão só palmilho,
teu ser pequeno eu sinto, tua voz querida.
 
Lá fora está chovendo e, dentro em mim também,
há temporais, trovões cortando meu deserto,
nesse vazio deixado pela tua ausência.
 
Podem sorrir de mim quem acha isso banal,
Mas uma coisa eu digo e isso, eu sei, é certo,
Esse vazio tem fim quando eu virar saudade.
 
Edith Lobato - 18/01/18

domingo, 14 de janeiro de 2018

Gomos de sonhos




Gomos de sonhos

Sob a luz que fecunda a nossa caminhada,
vozes e sorrisos em horas céleres se aninham
no passado feito orvalho na alvorada.

E nós? Somos resquícios de DNA que definham
nas ideológicas fábricas de nossos, ilusórios, sonhos,
vilipendiados pela ausência do amor fraterno.

O mundo se curva ao plano da inversão
e há gente que vive a flutuar na futilidade
e na orgia de suas torpes e sádicas emoções.

A grande massa pasma com o descaso das vidas,
ilhadas em corredores frios da sociedade,
vão, sobre a grama seca, marcando gomos de sonhos.

Edith Lobato - 01/03/17